Esposende: Insultou, agrediu e deixa carta de ameaça a GNR

AvatarNuno Cerqueira, 14 de junho, 2022

GNR 1

O tribunal da Relação de Guimarães considera que há motivos para mandar julgar camionista de Esposende que terá insultado, agredido e ameaçado GNR do posto de Viana do Castelo. O caso remonta a 2019, quando um militar da Brigada de Trânsito da GNR deu ordem de paragem ao camionista numa rotunda de Esposende, nomeadamente em Apúlia.

"“Vai para a p**a que te pariu. Vai-te f**er. Vai para o c***lho que vos f**a!”, terá dito o camionista esposendense, que até conhece o Guarda em causa. Este recebeu ordem de detenção imediata, mas acabou por encetar uma fuga.

A GNR acabou por o deter mais à frente do local da operação e terá sido aqui que se registaram as agressões, físicas e verbais, do camionista ao GNR, com a patente de cabo.

O caso acabou por ir ter ao Ministério Público de Esposende que mandou arquivar o processo por considerar que não haviam motivos nem requisitos para formular acusação ao camionista.

O militar da GNR em causa não concordou e considerou existirem motivos para acusar o camionista de "injúria agravada". O processo foi alvo de instrução, mas o Tribunal rejeitou o pedido. 

O cabo da GNR acabou para recorrer para o Tribunal da Relação, levando o camionista a deixar uma carta de ameaça na caixa do correio do militar.

"Demorou tempo, mas soube onde moras. A tua namorada foi mais fácil, ela tem amigos meus empregados. Podes multar os meus camiões à vontade já não tenho medo. Nós sabemos que a tua namorada sabe de tudo o que aconteceu na rotunda vou conseguir que ela fale tudo o que sabe já falei com o advogado. Quem vai ganhar no tribunal sou eu, vais pagar bem caro, vais perder tudo e vais ficar sem trabalhar. És um merdas, cobarde, mentiroso, vais-te f**er todo”, lê-se na carta que motivou novo processo-crime que está no DIAP da Póvoa do Varzim.

Os juízes da Relação de Guimarães afirmam no processo que as atitudes do camionista “são injustas e dolosas, inverídicas, ofensivas, injuriosas e ilegais, maiormente quando atenta para o sagrado direito de honra, tutelado na Constituição da República Portuguesa”.

“Daí resultando, como é de lógica assunção, sérios e graves constrangimentos para o cabo da GNR, merecedores da tutela do Direito”, lê-se no processo, destacando então que o arguido cometeu "de forma ilícita, dolosa e culposa, um crime de Injúria agravada previsto e punido pelo artigo 181.º e 184.º, do Código Penal".


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