Misericórdia de Esposende focada nos utentes mas preocupada com o futuro

AvatarRedação , 11 de abril, 2020

PICT 20200223 031248

A Santa Casa da Misericórdia de Esposende (SCME) avançou para um plano de contingência face à pandemia que obrigou a uma reorganização interna de uma instituição com várias valências, entre as quais um hospital e um lar. Muitos serviços foram encerrados e, se por um lado o foco da instituição são as pessoas, por outro a sustentabilidade financeira é uma preocupação. Layoff pode estar no horizonte da instituição.

Segundo a provedora Emília Vilarinho, o foco é proteger os utentes, garantindo ao mesmo tempo a qualidade de vida das pessoas.

«Estamos em duas frentes. O atendimento às pessoas idosas, como o lar ou centro de dia, e depois o hospital, como caso da unidade dos cuidados continuados. Começamos por organizar os planos de contingência e avançamos para um reforço da formação interna», começa por explicar a provedora Emília Vilarinho, dizendo que a SCME está a fazer frente à pandemia em dois eixos: proteção da comunidade e organização interna dos espaços e recursos humanos.

«Suspendemos visitas, encerramos cirurgias e serviços, creche, centro de dia e área dos hospital. Basicamente no hospital só prestamos o serviço de atendimento médico, aquilo que as pessoas chamam de urgência», destaca.

A SCME reduziu os recursos humanos nos turnos, de forma a garantir o mínimo de pessoas e, em caso de caso suspeito entre os profissionais da SCME, a rápida mudança de um turno completo.

Emília Vilarinho diz ainda que em termos de materiais de proteção individual (EPI´s), a SCME estava preparada para o imediato, mas não tinha grande stock.

«Graças a ofertas de voluntários e ao excelente trabalho da Câmara de Esposende foi possível reforçar os EPI», aponta a provedora, lembrando que esta questão de proteção individual é muito importante, até porque a SCME continua a trabalhar no terreno.

«Continuamos a dar o apoio domiciliário às pessoas que estão em casa. Tem havido uma nobreza enorme e dedicação de todos que aqui trabalham pelos outros. Quero reforçar o meu agradecimento», frisa.

A provedora destaca ainda que «apesar do “isolamento” das pessoas que estão não lar continuava a existir uma interação grande com o exterior».

«Temos um conjunto de plataformas que permitem este contacto com a família dos utentes. Uns fazem-no de uma forma autónoma com os meios digitais e outros com ajuda. Ou seja, os familiares estão diariamente em contacto», sublinha.


Até ao momento não são conhecidos infetados na SCME, no entanto quando Emília Vilarinho olha para o futuro, os receios surgem e não aponta nada de bom para as instituições em termos financeiros.

«Esse é o lado que nos mostra um cenário muito negro. Nós estamos praticamente sem receita. A única que temos são as poucas consultas do atendimento permanente, porque as pessoas já evitam deslocação aos hospitais, e depois temos a receita dos continuados. De resto está tudo sem receita pois temos tudo encerrado», aponta, não colocando de parte avançar para o layoff.

«É um cenário que vamos decidir ainda este mês. Este é um problema transversal a todas Misericórdias, pois estamos preocupados com as questões financeiras e com os postos de trabalho. Isto vai trazer impactos grandes», apontou.

«Vamos enfrentar esta crise, mas vai doer a todos», vaticinou.


Também pode gostar