BV Esposende e Fão preocupados com falta de informação

AvatarRedação , 10 de abril, 2020

Simulacro 140

As duas corporações de Esposende, os Bombeiros Voluntários de Esposende (BVE) e os Bombeiros Voluntários de Fão (BVF), manifestam preocupação quanto ao atual estado de pandemia Covid-19 que o mundo enfrenta. 

«As quebras de receita são óbvias», dizem, apontando outro problema que pode ser grave para o dia à dias das corporações: «em caso de transporte de uma pessoa suspeita de Covid-19, nunca temos informação de retorno para saber se confirmou ou não». 

O foco dos bombeiros continuam nas pessoas, quer quem precisa de socorro, mas também os voluntários e profissionais dos bombeiros. É aqui que João Morais dá conta de um problema, a ausência de informação de retorno depois de um transporte de doentes suspeitos de Covid-19.

«Supostamente transportamos um doente com todos os sintomas e até hoje não houve qualquer tipo de comunicação. Nos tomamos a medidas de proteção em todos os serviços, mas acabamos por não saber se quem transportamos confirmou ou não positivo», dá conta o comandante dos BVF.

Morais frisa que «não chega ter uma viatura preparada para transporte de suspeitos de Covid-19», mas é que preciso «saber os caso confirmados para tomar medidas internas no quartel».

Também o comandante dos BVE, Juvenal Campos, dá conta do mesmo problema operacional da falta de informação.

«Já fizemos dois transportes indicados como suspeita e não sabemos até hoje de nada. Pois esse detalhe é importante para tomarmos dentro dos bombeiros proteção extra», frisa.

O comandante dos BVE aponta ainda ausência de informação da autoridade de saúde quantos aos lares com infetados.

«Não há essa referenciação e alguém teria que ter uma informação centralizada de forma a que quando se fosse a esses lares houvesse um cuidado adicional», diz, pois o comandante refere que «no hospital a realidade é sempre igual, mas quando saímos de ambulância para um teatro de operações não é bem sim».

«Atualmente dentro do concelho, nós bombeiros, não fazemos a mínima ideia onde estão as pessoas infetadas ou suspeitas. Saber só as freguesias isso não me chega. Não precisa de saber toda a gente nos bombeiros, mas devia ser feita um ponto com o comando», aponta Juvenal Campos, destacando dificuldades logísticas como equipamento de proteção individual e de alimentação.

Se por um lado os bombeiros têm em prática fortes medidas de contingência, que passam por várias áreas como proteção individual, restrições nos acesso aos quartéis e turnos de forma a garantir em caso de suspeita total operacionalidade, a realidade aponta também para uma redução nos serviços prestados.

«As quebras nas receitas dos doentes não urgentes caiu de forma abrupta. Essa é uma situação que nos preocupa e que julgo que terá que ter apoios do estado no futuro. Atualmente só fazemos transporte de doentes da hemodiálise e os serviços de urgência são muito poucos», diz o presidente das Associação Humanitária dos BVE, João Nunes, dando conta que «para já as coisas funcionam porque estamos a receber as verbas de há dois meses».

Situação também destacada pelos BVF. O comandante João Morais refere mesmo que «grande parte do rendimentos da corporação vem dos doentes não urgentes».

«Estamos a falar de quebras que apontam para os 75 a 80%. A continuar assim, daqui a três meses as coisas vão apertar, com as corporações de bombeiros a entrarem em dificuldades muito grandes», frisa João Morais, dando conta ainda de outro problema: especulação dos materiais precisos atualmente para os bombeiros.

«Por exemplo, queres comprar equipamento para proteger as pessoas que custava 60 a 80 cêntimos por unidade que agora pagamos 3 e 4 euros», frisa.
No entanto o foco, no imediato, são as pessoas


Também pode gostar