Viana: Presidente da Federação dos Bombeiros reclama por mais meios para o combate a incêndios

AvatarFilipe Oitavem, 1 de fevereiro, 2022

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Germano Amorim, presidente da Federação dos Bombeiros de Viana do Castelo (FBVC), aponta o dedo às autoridades exigindo seriedade no combate aos incêndios e reclama dívidas aos bombeiros por parte dos hospitais.

"As alterações climáticas e a força dos números dos últimos anos exigem uma mudança urgente de paradigma face à política nacional no combate aos incêndios. Não podemos admitir que haja um dispositivo especial de combate a incêndios rurais para um determinado período do ano, continuando a ignorar a realidade dos incêndios fora desse referido período. Há cada vez mais incêndios durante todo o ano, no decorrer desta última semana de janeiro tivemos cerca de 100 incêndios no distrito de Viana do Castelo, e essa despesa não pode continuar a ser suportada pelas associações humanitárias compostos ainda maioritariamente por bombeiros em regime de voluntariado», destacou.

O presidente da FBVC refere que as associações «não têm capacidade financeira para esta despesa permanente e constante».

«É simplesmente insustentável e insuportável considerarmos que o combate pode ser realizado sem apoios diretos aos bombeiros ao longo de todo o ano de forma ininterrupta. A proteção e segurança dos cidadãos não se pode compadecer com uma visão meramente economicista dos acontecimentos. Além do mais, não podemos continuar a aceitar como normal todas as queimas e queimadas que se fazem ao longo de meses essencialmente em períodos tão longos de seca como o que atravessamos. Os prejuízos são avultadíssimos até do ponto de vista ambiental. É necessário apostar em métodos alternativos de limpeza florestal e agrícola com métodos combinados de compostagem e projetos ativos de sumidouros de carbono. As queimas poluem e a qualidade do ar fica irremediavelmente comprometida, o que causa sérios danos para a saúde pública. Um corte epistemológico com a atual realidade, é necessário e indispensável», refere Germano Amorim.

Outro dos assuntos levantados por Germano Amorim tem a ver com os atrasos dos hospitais nos pagamentos aos bombeiros voluntários. Há casos de vários meses.

«Para terem uma noção, a ULSAM pagou em Janeiro passado a fatura referente ao mês de Agosto à maioria das associações de bombeiros. O mesmo se refira ao hospital de São João que acumula meses de dívidas e nem sequer garante estacionamento devido para o transporte de doentes não urgentes, forçando os trabalhadores a circular por vezes horas de espera sem garantir a hora de retorno correta para os pacientes. Não é admissível que o Estado continue a fazer dos bombeiros autênticos burros de carga no que refere à garantia da proteção civil nacional. Nós suportamos mais de 85% dos serviços de INEM, apagamos incêndios de graça, garantimos transporte de doentes não urgentes a preços verdadeiramente miseráveis que não acompanham sequer a taxa de inflação nacional anual e o brutal aumento de combustíveis a que estamos sujeitos sem que haja qualquer tipo de discriminação positiva a favor de quem é o garante do sossego do estado sem que nada se peça em troca a não ser respeito e dignidade. É a única parceria público-privada que resulta a favor do estado e com claro prejuízo para o privado», destacou.

Germano Amorim frisa que «basta vermos o recente protocolo celebrado com o INEM pelo anterior Conselho executivo da Liga dos Bombeiros Portugueses, novamente com claro prejuízo para os bombeiros que a continuarem assim, estão a caminho da rutura».

«O socorro e emergência médica estão comprometidos a curto e médio prazo», assegura.

 


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