Viana: Enercon recusa carregamento e navio russo fica fundeado

AvatarRedação , 3 de março, 2022

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Um navio russo está fundeado em Viana do Castelo desde segunda-feira sem autorização da Enercon para carregar material eólico, na sequência das sanções aplicadas à Rússia pela ofensiva militar sobre a Ucrânia, disse hoje o comandante do porto.

Contactada a Enercon, a gigante alemã diz-se que «estamos, atualmente, a trabalhar no sentido de averiguar até que ponto podemos suspender as cooperações acordadas contratualmente com empresas russas que ainda não se encontram sob os embargos impostos».

"Esta situação também se aplica a navios de companhias de navegação internacionais que navegam sob a bandeira russa", confirma a Enercon.

"A Enercon está profundamente chocada com a guerra de agressão da Rússia contra a Ucrânia, violando o Direito Internacional, e está preocupada com a ameaça à Paz e estabilidade na Europa. Apoiamos as sanções e medidas impostas pelo Governo Federal Alemão, a UE e outras nações ocidentais, e atuamos sempre em conformidade com as regras", lê-se ainda no comunicado enviado a este jornal.

Como adiantado pelo Diário do Minho, o cargueiro de bandeira russa Topaz Don chegou ao porto de Viana do Castelo na segunda-feira, às 20:15, e continua fundeado a aguardar instruções do armador russo, após ter sido impedido pela multinacional alemã de construção de aerogeradores de fazer o carregamento de pás e turbinas para torres eólicas para transportar para o Báltico.

A sede da Enercon na Alemanha deu instruções à empresa de Viana do Castelo para não autorizar o carregamento na sequência das sanções aplicadas à Rússia, e o armador deu indicações ao comandante do navio para não entrar no porto e permanecer no fundeador.

Segundo o comandante de porto, Silva Lampreia, o agente de navegação, Burmester Stuve, “está a desenvolver diligências no sentido de mudar a bandeira do navio para tentar contornar a situação”.

O responsável adiantou que a permanência do navio à entrada do porto de Viana do Castelo vai depender do estado do mar, uma vez que a partir das 18:00 e até às 21:00 de sexta-feira as previsões apontam para o agravamento da agitação marítima, com ondas de quatro a cinco metros de altura.

“Por questões de segurança poderei ter de determinar o afastamento do navio, para não se correrem riscos, [como] por exemplo o de se partir a amarra e o navio não ter tempo de reagir e dar à costa. Há vários fatores que têm de ser analisados em função das circunstâncias ambientais que também são relevantes”, sustentou Silva Lampreia.

Fonte da Administração dos Portos do Douro, Leixões e Viana do Castelo (APDL) disse que, “neste momento, não existe nenhuma orientação no sentido de impedir a entrada ou saída de qualquer embarcação, seja de que nacionalidade for”.

“Por razões de segurança a embarcação recebeu água e combustível, por não haver indicações em contrário”, referiu a fonte, adiantando que as “questões comerciais” ultrapassam a administração da APDL.

 


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