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Covid: Esposende vai vacinar em Barcelos. PS e PCP criticam

Nuno Cerqueira - 4 de fevereiro, 2021

O presidente da Câmara de Esposende utilizou as redes sociais para anunciar, após reunião entre o Município, ACES Cávado III Barcelos/Esposende e presidentes de junta, que o plano de vacinação da população de Esposende será feita no concelho vizinho e Barcelos.

«Por questões logísticas impossíveis de alterar», referiu o edil, acrescentando que vão ser 22 mil vacinas que vão abranger 11 mil pessoas. 

Ora, e depois de todos os presidentes de Junta, incluindo os de cor diferente do edil, manifestaram todo empenho e apoio, traçando desde logo planos logísticos para este espécie de "shuttle" da vacinação.

No entanto as críticas não se fizeram esperar. O líder do Partido Socialista (PS), Tito Evangelista, já lamentou que o presidente da Câmara de Esposende «aceitasse de forma irresponsável a hipótese de transportar os idosos do concelho para Barcelos, transportados de autocarro “à manada” para serem vacinados contra a covid-19».

«Esposende não é um “anexo” de concelhos vizinhos, embora o presidente da Câmara se comporte como tal. O PS de Esposende irá desenvolver todos os seus esforços junto das autoridades de saúde do país, para que seja possível que os esposendenses, em particular os nossos idosos, sejam vacinados no concelho de Esposende», afirma Tito Evangelista.

Já o Partido Comunista Português (PCP), através de Manuel Carvoeiro, manifestou «total e frontal repúdio por tal modalidade de vacinação».

«Tomamos conhecimento da organização de transportes para assegurar a deslocação das pessoas ao concelho vizinho. Para além de ser uma medida pouco adequada do ponto de vista sanitário, parece-nos ser uma forma de ‘tapar o sol com a peneira’. O PCP defende que os idosos com baixa mobilidade sejam vacinados em casa e que os restantes esposendenses abrangidos por esta fase de vacinação tenham a possibilidade de o fazer no seu concelho, no Centro de Saúde onde estão inscritos», aponta Manuel Carvoeiro.

Questionado sobre as críticas, o autarca social democrata de Esposende esclarece que «a responsabilidade pela sua definição e implementação é exclusivamente do Estado, através da administração regional de saúde e dos ACES».

«O município não tem qualquer responsabilidade ou forma de impedir as decisões tomadas, pois as mesmas são assentes em critérios de saúde pública, que não podemos pôr em causa. Acrescento que na reunião, sugeri de forma veemente que a vacinação da população de Esposende fosse feita no nosso concelho. Foi-me dito que tal não é possível por duas razões fundamentais: Não há equipas médicas suficientes para criar um centro de imediato em Esposende e a vacina tem que ser conservada em temperaturas muito baixas não sendo autorizado o seu transporte e em simultâneo, o tempo para ser preparada e administrada é muito curto podendo dar origem a desperdícios», aponta Benjamim Pereira.

O presidente da Câmara de Esposende lamenta no entanto que «continue a haver pessoas, algumas com responsabilidades políticas que estão permanentemente a tentar tirar dividendos políticos do esforço e da desgraça dos outros, em vez de contribuírem para serenar e acalmar a população num momento tão dramático como o que vivemos».

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