Esposende: Câmara quer "registo predial rústico" de poços desprotegidos

AvatarRedação , 30 de março, 2021

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O Município de Esposende vai continuar "guerra" aos poços desprotegidos do concelho de Esposende, em especial os 432 situados entre Mar e Belinho e que nos últimos tempos têm levantado onde de contestação face às sucessivas mortes de animais nos referidos poços.

Segundo nota de imprensa que o gabinete de comunicação fez chegar à redação deste jornal, a autarquia de Esposende afirma que se mantém «atenta ao assunto», pois recentemente iniciou uma candidatura para a elaboração do cadastro predial rústico «onde deverá conseguir-se apurar a informação em falta, estando já novamente no terreno e, sem prejuízo do referido, o assunto foi já incluído no Programa de Ação da Cogestão do Parque Natrural do Litoral Norte, uma vez que os poços se inserem nesta área protegida».

«Relativamente ao levantamento dos 432 poços agrícolas desprotegidos de Belinho e Mar informa-se, resumidamente que o trabalho foi realizado pelo Gabinete Municipal de Proteção Civil, no sentido de contribuir para a diminuição de riscos coletivos. Do levantamento efetuado, não foram apurados em concreto os dados dos proprietários de cada parcela, contudo, podemos afirmar que a totalidade dos terrenos será privada. Relativamente à legislação que faz referência à proteção dos poços agrícolas é o Decreto-Lei n.º 310/2002, de 18 de dezembro, republicado pelo Decreto-Lei n.º 204/2012, de 29 de agosto. Foi produzida informação (flyers) colocada nas respetivas Juntas de Freguesia e executadas ações de sensibilização nas suas sedes, com a presença dos respetivos Presidentes de Junta», confirma a autarquia.

A Câmara de Esposende destaca mesmo que «vários poços já foram alvo de aplicação de algumas medidas preventivas, posteriores à ação de sensibilização realizada».

«Tendo consciência de que existia um perigo coletivo, a autarquia efetuou o trabalho de identificação espacial dos perigos existentes. Quanto à titularidade das parcelas, está para iniciar o projeto de levantamento cadastral, que permitirá obter também informação útil para dar continuidade a este projeto (candidatura da CIM Cávado). O assunto nunca ficou esquecido, até pelo que, recentemente, voltou a ser incluído no âmbito do Programa de Cogestão», frisa o Município.

Recorde-se que a Câmara de Esposende, e tendo tomado conhecimento de que, no passado, teria ocorrido um acidente com danos pessoais num poço entre Belinho e Mar, resolveu partir para a «inventariação dos vários pontos críticos, realizando o levantamento dos poços agrícolas desprotegidos nestas freguesias».

«Para o efeito, foi delineada uma metodologia de trabalho e, durante cerca de três meses, uma equipa composta por três técnicos, devidamente identificados e dotados de recursos e procedimentos de segurança, bem como de meios complementares de prontidão, percorreu a pé toda a área agrícola/florestal, a poente da EN13, nas freguesias de Belinho e Mar», confirma a autarquia.

O projeto de levantamento no terreno traduziu-se na inventariação de cada poço, respetivo registo fotográfico, bem como localização geográfica e outras características, tais como dimensão, altura da vedação, tipo de cobertura, entre outros aspetos.

A maioria dos poços alvo do levantamento situa-se em campos agrícolas em abandono, tendo-se verificado uma tendência muito comum da existência de mais de um poço por cada parcela agrícola.

«Constatou-se, ainda, um aumento do abandono agrícola daquela área, aliado a uma emigração de parte da população destas freguesias, fenómeno semelhante a muitos outros concelhos do país, que têm igualmente poços a céu aberto. Não existindo um cadastro predial, e mesmo com todas as diligências realizadas no sentido de se identificarem os proprietários no terreno aquando do trabalho de campo, não foi possível apurar os donos dos terrenos para a necessária notificação», lê-se na nota de imprensa.

«Apenas se pôde constatar que, não se tratando de Domínio Público Hídrico (DPH), e não existindo terrenos baldios nem públicos, todos os terrenos são de propriedade privada», afirma.

Neste contexto, foi produzido e distribuído material de sensibilização (posters e flyers) que foram disponibilizados nas Juntas de Freguesia de Belinho e Mar (hoje União de
Freguesia) e noutros locais destas localidades, tendo-se realizado, presencialmente, e com o apoio do SEPNA - Serviço de Proteção da Natureza e Ambiente da GNR, ações de sensibilização dirigida à comunidade para que os proprietários pudessem reconhecer o problema e, numa primeira fase, agir de sua iniciativa.

É visível que vários poços terão tido intervenção após estas iniciativas.

 


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