Esposende: Candidata da CDU Isabel Novais em entrevista

AvatarRedação , 23 de setembro, 2021

Isabel Novais PCP 6

O jornal Farol de Esposende realizou um conjunto de entrevistas aos candidatos à Câmara de Esposende nestas autárquicas de 2021 e que se realizam no próximo dia 26 de setembro. As perguntas foram iguais para todos os candidatos, com indicação da direção do jornal de que as respostas não deveriam extrapolar informações que fossem para além do conteúdo de cada pergunta. Assim, em parceria com o E24, o Farol de Esposende publica o que cada candidato pensa sobre as questões colocadas. Desta forma, entendemos que prestamos a todos um serviço de informação útil, cumprindo, assim, um dos objetivos do jornal, no âmbito do seu estatuto editorial. Por sorteio, a ordem de publicação será candidatura do PS, CDS-PP, CDU, Chega e PSD-PPD, sendo que as publicações vão ser realizadas até sexta-feira.

Farol de Esposende (FE) – Qual a principal motivação que serviu de impulso para ser cabeça de Lista para o Executivo da Câmara Municipal de Esposende, do Partido pelo qual concorre às autárquicas de 2021?

Isabel Novais (IN) - Para responder a esta pergunta, temos, primeiro, de afirmar que nós candidatos da CDU, quando aceitamos ser candidatos a qualquer órgão autárquico não temos qual- quer pretensão de protagonismo ou de luzes da ribalta. Nem, tão pouco, o nosso objetivo é resumido a mero taticismo partidário. Temos uma forma de estar na polí- tica diferente desprovida de interesses económicos ou interesses pessoais. Aqui no concelho, o que nos motiva para ser candidatos, é, realmente, a responsabilidade e a vontade indominável de mudança. Quando falamos em mudança, importa dizer que no nosso concelho, desde 1976, o poder autárquico é da responsabilidade do CDS e do PSD. Importa dizer que não se tem verificado, ao longo destes anos, o real exercício coletivo do poder, em que o povo de Esposende dele participe para além da prestação do voto. Defendemos, pois, uma gestão demo- crática baseada na participação popular. Temos de ter a consciência de que cabe às autarquias locais a pros- secução do interesse público e a proteção dos direitos e interesses dos cidadãos. Como tal, deveria competir aos órgãos das autarquias locais prosseguir o interesse público, e trabalharem, exclusivamente, ao seu serviço. No entanto, o que verificamos é que o interesse público, isto é, o interesse da comunidade e dos cidadãos, geral- mente não prevalece sobre os interesses particulares ou de grupos restritos de cidadãos.
Assim o que nos motiva é mudar a forma de fazer política e restituir às pessoas uma das conquistas mais importantes do 25 de abril – o poder local.

F.E. – Se, após o sufrágio eleitoral, resultar a sua eleição para Presidente da Câmara, atendendo a que será para exercer funções num horizonte de quatro anos, quais os dois primeiros grandes investimentos que promoverá, para contribuir decisivamente para o desenvolvimento do concelho de Esposende?

CDU – Em primeiro, temos de afirmar que se a CDU for a força política mais votada e daí resultar a eleição para Presidente da Câmara, não haverá hibernação da nossa ação, durante 4 anos, deixando, para o final do mandato, inaugurações, ações públicas e lançamentos de obras. Numa perspetiva de continuidade de muitas lutas travadas, a CDU continuará a investir na revitalização da economia no concelho, através da animação da comuni- dade piscatória, do comércio e do tecido empresarial. Para isso é fundamental dar condições de trabalho aos pesca- dores com as medidas sobejamente conhecidas: desas- soreamento do leito e foz do rio Cávado e construção de um molhe na foz que possibilite as saídas e entradas das embarcações em segurança. Relativamente ao comércio, não esquecendo a necessidade de a população em geral ter melhor condições de vida e, consequente, maior poder de compra, torna-se premente a fixação das pessoas no concelho, sobretudo a fixação dos jovens, assegurando uma oferta habitacional a custos mais baixos. Numa fase em que o impacto da crise epidémica de COVID-19 tem sido brutal no plano económico e social, para a estimu- lação das micro, pequenas e médias empresas que cara- terizam o tecido empresarial no nosso concelho, será necessário pensar em providenciar balcões que ajudem a lidar com as burocracias e bloqueios, que mais não são do que fatores de exclusão e de impedimento no acesso aos apoios e ao financiamento. Também, com o mesmo objetivo, a CDU propõe-se dar continuar a luta pela melhoria das acessibilidades para fora do concelho, o que quer dizer mobilidade sem portagens na A28 e na A11, de forma a reduzir os gastos das empresas com o compra de matéria prima e o escoamento dos seus produtos.Para além da revitalização da economia, mas não dela desligado, a CDU considera de máxima importância criar uma estratégia articulada de desenvolvimento cultural em Esposende. No Programa Municipal da CDU referimos a criação de um “Centro Integrado de Atividades e Expressões Artísticas na cidade de Esposende, que inclua um Pavilhão Multiusos e constitua um polo dinamizador de uma estratégia integrada do desenvolvimento cultural no concelho”. Este centro, para além de uma agenda cultural própria, será uma alavanca para as Associações e Cooperativas que já desenvolvem ações soltas e pontuais no concelho, não menosprezando a sua qualidade. Este Centro, terá também como objetivo, trazer de volta para Esposende talentos, alguns reconhecidos inter- nacionalmente, que não encontraram aqui nicho para as suas artes.

F.E. - Tendo em conta o património imobiliário propriedade do Município de Esposende, presen- temente sem utilização rentável que satisfaça, que destino dará, no mais curto espaço de tempo, às instalações do Forte de S. João Batista; da Estação Radionaval de Apúlia; do prédio junto à Praia de Apúlia, denominado “edifício Pérola”

CDU – Em relação ao património imobiliário proprie- dade ou concessionado por um período de tempo ao Município, existem já projetos para a sua utilização. O que defendemos é que tais projetos não sejam desvirtuados e que sejam levados a cabo, em parceria com outras instituições, em prol dos esposendenses para fins culturais e/ou de investigação. Este património deverá ser um veículo para a democratização do acesso à cultura e ao conhecimento, facilitando a todas as pessoas, independentemente da sua idade ou origem social, a proximidade à riqueza que comportam.

F.E. – De entre as que enumeramos, indique duas áreas onde é imperioso agir de imediato, a bem do concelho, e como pensa que serão feitas, em cada uma, as ações a desenvolver: indústria; comércio; agricultura; pesca; artes; cultura; educação/ensino; turismo, serviços.

CDU – Como já afirmamos acima, a CDU considera imperioso a revitalização da economia no concelho, atendendo ao apoio às micro, pequenas e médias empresas, ao desenvolvimento do comércio e à resolução dos problemas que têm vindo a acabar com a comunidade de pescadores. A CDU considera, também, imperioso o desenvolvimento de uma política promotora de uma ação articulada e integrada cultural, como, também acima foi referido. No entanto, o projeto da CDU não se esgota aí. A CDU lutou e continuará a lutar pela reabertura de todos os centros de Saúde no concelho. Valorizamos o empenho de todos os profissionais da saúde e a forma como conseguiram e continuam a garantir a resposta necessária a todos os cidadãos do concelho no combate ao vírus. Mas o PCP não pode concordar com o prolongamento da não regularização do funcionamento das diferentes Unidades de Saúde e com o adiamento do serviço de proximidade que estas vinham a oferecer à população no âmbito de outras patologias.Também, sendo o concelho caraterizado por uma forte atividade agrícola, a CDU defende a formação e o acompanhamento dos agricultores no sentido de imple- mentarem práticas cada vez mais biológicas que sejam amigas do ambiente e da saúde de todos. Atenção especial, damos, também, à proteção dos poços a céu aberto. É imperioso que, a partir do levantamento dos poços existentes, se adotem medidas adequadas com vista à eliminação da possibilidade de perdas de vidas humanas ou de animais. Outra área prioritária de intervenção para a CDU é a do ambiente. O lema “Esposende um privilégio da Natu- reza”, encerra em si um grande desafio que não tem sido cuidado. Quando assistimos a construções/remodelações em cima das dunas, construções de aglomerados habita- cionais que interrompem cursos de água, construções com volumetrias exageradas, afirmamos que “Esposende não privilegia a Natureza”. Está agora em fase de conclusão a construção de um canal intercetor. Sim, uma obra que podemos dizer estrutural para a cidade de Esposende. Mas qual é a verdadeira história desta obra? A verdadeira razão que motivou a necessidade de construir um canal intercetor é a defesa do lucro fácil, é a subjugação do poder municipal aos interesses privados. Não fosse a construção desenfreada, como por exemplo o caso do condomínio das Teresinhas, a norte de Esposende, os cursos de água seguiriam os seus trajetos naturais e não haveria necessidade de os encanar. Para a CDU é essencial a preservação do ambiente e a valorização e salvaguarda do património natural, nomeadamente, das zonas ripícolas, dos arvoredos existentes, bem como a criação de um Bosque Municipal com espécies autóctones. Tendo em conta que atualmente o Município de Esposende é cogestor do Parque Natural Litoral Norte, a CDU terá uma ação de preservação do cordão dunar, implementando ações de remoção das plantas invasoras e infestantes, e de assegurar a manutenção regular dos passadiços pedonais.

F.E. – Que se lhe oferece dizer sobre a anunciada instalação do Ensino Universitário em Esposende, nomeadamente efeitos no binómio custos/benefícios, relevando possíveis consequências para o desenvol- vimento económico do concelho?

CDU – A instalação de um polo do IPCA em Esposende, trará a possibilidade dos nossos jovens ingressarem em Cursos Técnicos Superiores Profissionais. Estes cursos habitualmente têm a duração de quatro semestres curri- culares de trabalho, sendo o último realizado em contexto de trabalho, através de um estágio. Não menosprezando este tipo de formação profissional, a CDU tem sido e continuará a ser intransigente na defesa do direito à educação pública. Ao fazer esta afirmação, estamos a dizer que a educação começa no berço e se prolonga ao longo de toda a vida. É necessário pensar em creches gratuitas, na cobertura total da rede do pré-escolar, com jardins de infância em todas as freguesias, e assegurar iguais oportunidades de aprendizagem aos estudantes do básico, secundário e superior. Iguais oportunidades de acesso passam por melhorar os transportes escolares, disponibilizar passes sociais a quem se desloca para outros concelhos, assegurar igual acesso à cultura, dar melhores condições de trabalho e melhores salários às famílias. Dirão que estas medidas não são da respon- sabilidade municipal. Sim, não são. Mas a CDU coerentemente o que defende ao nível local, defende a nível nacional e internacional. Aqueles candidatos que elegem governos de direita ou governos que aprovam políticas de direita, não deveriam ter a confiança dos esposendenses.

F.E. – Se após o sufrágio do dia 26 de setembro próximo, o seu nome não for sufragado democraticamente para presidir à Câmara Municipal de Esposende, que tenciona fazer sob o ponto de vista político?

CDU – Agora como candidata pela CDU, e poste- riormente como militante de um dos partidos que a compõem, o PCP, a postura é só uma: continuar a sua luta centenária por uma sociedade mais justa, uma sociedade sem explorados e exploradores. Continuar a lutar por melhores condições de vida daqueles que são explorados e que o seu baixo salário não corresponde ao que produzem. Continuar a lutar contra a arrecadação do capital apenas por alguns, à conta de quem trabalha. Defender políticas de solidariedade e cooperação entre todos os povos do mundo. Defender a ideia de que a vida é para ser vivida na sua plenitude. O que não pode acontecer quando as satisfações básicas de ter uma migalha de pão para pôr na mesa, são ainda prioritárias. Continuar a lutar por uma sociedade ecologicamente equilibrada, onde o bem comum se sobrepõe aos interesses econó- micos de apenas alguns. Continuar a debatermo-nos pela cultura e pelo desporto como vertentes essenciais da vida e de uma sociedade desenvolvida. Continuar a lutar pela igualdade de oportunidades, nomeadamente, igualdade de oportunidades na educação e igualdade de oportunidades no acesso aos cuidados de saúde. Continuar a lutar pela liberdade na sua plenitude, em que o povo decida, de forma consciente e informada, sobre o seu destino. Por último, posso afirmar com toda a certeza que irei continuar a lutar por um objetivo maior – a cons- trução de uma sociedade socialista.

 

 


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