Esposende: Candidato do CDS-PP José Areia de Carvalho em entrevista

AvatarRedação , 22 de setembro, 2021

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O jornal Farol de Esposende realizou um conjunto de entrevistas aos candidatos à Câmara de Esposende nestas autárquicas de 2021 e que se realizam no próximo dia 26 de setembro. As perguntas foram iguais para todos os candidatos, com indicação da direção do jornal de que as respostas não deveriam extrapolar informações que fossem para além do conteúdo de cada pergunta. Assim, em parceria com o E24, o Farol de Esposende publica o que cada candidato pensa sobre as questões colocadas. Desta forma, entendemos que prestamos a todos um serviço de informação útil, cumprindo, assim, um dos objetivos do jornal, no âmbito do seu estatuto editorial. Por sorteio, a ordem de publicação será candidatura do PS, CDS-PP, CDU, Chega e PSD-PPD, sendo que as publicações vão ser realizadas até sexta-feira.

Jornal Farol de Esposende – Qual a principal motivação que serviu de impulso para ser cabeça de Lista para o Executivo da Câmara Municipal de Esposende, do Partido pelo qual concorre às autárquicas de 2021?

José Areia de Carvalho (JAC) – A paixão por Esposende, pelas suas gentes e pelas suas 15 freguesias. Esposende é, verdadeira- mente, um privilégio da natureza, mas falta rasgo, visão e ambição para que todo o seu potencial seja aproveitado. Avancei porque no CDS conseguimos constituir uma equipa - entre Câmara, Assembleia e Freguesias – composta por esposendenses dos quatros costados, que querem concretizar o sonho de dinamizar e desenvolver Esposende, pensando naquilo que querem que Esposende seja daqui a 10 ou 15 anos. Temos gente cheia de vontade de trabalhar e de “dar o litro” para concretizar este sonho! Queremos tornar Esposende num concelho atrativo, que se apresente como exemplar nas políticas de família, de educação, na economia, na cultura, no turismo e no bem-estar. Um concelho que se destaque, que esteja na moda, na linha da frente e com oportunidades para todos. Se tomarmos as opções certas e trabalharmos arduamente, estou certo que em 10 a 15 anos o vamos alcançar! Vamos transformar este concelho e torná-lo o centro das atenções, não apenas para passar férias, mas para viver o ano todo. Desejo que os esposendenses acreditem connosco que é possível mudar o paradigma de gestão do concelho e que a única alternativa credível e sustentada para esta mudança é o CDS. Acreditem e sonhem connosco, num concelho dinâmico, atrativo, desenvolvido e a crescer, que mantenha os jovens esposendenses que querem constituir família, mas atraia muitos outros de fora e que aqui se queiram estabelecer. É possível fazê-lo!

F.E. – Se, após o sufrágio eleitoral, resultar a sua eleição para Presidente da Câmara, atendendo a que será para exercer funções num horizonte de quatro anos, quais os dois primeiros grandes investimentos que promoverá, para contribuir decisivamente para o desenvolvimento do concelho de Esposende?

JAC – Esposende precisa de uma zona industrial digna desse nome. Atualmente, apenas temos zonas que tendencialmente serão destinadas a indústria (duas a Norte do Cávado e outra a Sul), mas, no estado em que estão, tornam impossível atrair qualquer investimento de grande escala. Assim, o primeiro investimento seria aprovar os Planos de Urbanização das Zonas Industriais, realizando a Câmara Municipal as infraestruturas urbanísticas. Propomo-nos começar pela zona industrial da margem sul, abrangendo Apúlia, Fão e Fonte Boa, por nos parecer mais rapidamente rentabilizável. Estou certo que seria o investimento mais rentável, no curto prazo, para o concelho. Se tivermos indústria de valor instalada no concelho, conseguiremos criar riqueza, fixar os nossos talentos e atrair famílias jovens, para que se instalem por cá. Depois, avançávamos para a zona industrial de Curvos/ Vila Chã/ Forjães. Por outro lado, como o nosso maior ativo são as pessoas, apostava decididamente num projeto educativo sério para o concelho, nomeadamente revitalizando o projeto de “Esposende Município Educador”. Se lançarmos as bases para uma sólida formação dos nossos jovens, seremos sempre competitivos no futuro. Os jovens e as famílias serão sempre a nossa maior aposta e o investimento mais rentável. Destacaremos especialmente as competências dos nossos jovens no português e na matemática e daremos novo impulso ao ensino das artes e da música. O desprezo que a Câmara de Esposende tem pelas artes e pela música, depois de tanto trabalho já desenvolvido, revela uma falta de visão de futuro confrangedora. Ainda na componente do investimento humano, estamos preocupados com as baixas taxas de natalidade, pelo que nos propomos oferecer um subsídio mensal de cem euros por cada filho e durante os primeiros três anos de vida, a cada família residente em Esposende. Queremos ser o concelho com a mais elevada taxa de natalidade do país, porque isso será uma aposta no futuro. A par deste apoio, já nos comprometemos publicamente a reduzir, ao longo de 5 anos, a cobrança de IRS a que o município tem direito, devolvendo esse dinheiro aos esposendenses.

F.E. - Tendo em conta o património imobiliário propriedade do Município de Esposende, presen- temente sem utilização rentável que satisfaça, que destino dará, no mais curto espaço de tempo, às instalações do Forte de S. João Batista, da Estação Radionaval de Apúlia, do prédio junto à Praia de Apúlia, denominado “edifício Pérola”?

JAC – Antes de mais, importa clarificar, do ponto de vista legal, quais as aptidões construtivas e de finalidade de cada um desses bens. Não adianta estar a fazer promessas que não poderemos cumprir. Já basta que a Câmara Municipal tenha comprado o edifício Pérola, para agora estar a lidar com as limitações impostas, desde logo, pela APA, sem saber exatamente o que pode ou não fazer no local. De qualquer modo, pressupondo que não haveria impedimentos legais, diria que para a Estação Radio- naval de Apúlia o destino ideal seria constituir um Pólo de Investigação de Excelência, em parceria com várias universidades e não apenas com uma só; não percebo a razão pela qual se acena com um protocolo com apenas uma Universidade, quando hoje em dia o conceito dos consórcios entre universidades internacionais está a ser desenvolvido e promovido por toda a parte. Esposende só teria a ganhar se tivesse ambição universal e conseguisse ser promotor de um consórcio internacional para a criação de um centro de investigação de excelência em tudo o que respeita à chamada economia do mar, seja a investigação, a biologia, a economia, recursos marinhos, pesca, turismo, desporto, etc. Há que pensar em grande e ter ambição. Temos uma frente marítima de quilómetros e só tiramos partido disso em dois ou três meses do ano. Isto tem que acabar e devemos passar a ser um concelho de referência nesta matéria. Um projeto deste tipo seria uma enorme ajuda para a renovação do nosso concelho.
O Forte de S. João Batista terá que vir a ser um centro cívico do concelho, com diversas valências, como um museu e espaço para sede e desenvolvimento de instituições relevantes do concelho, com provas dadas, e que se comprometam com um plano exequível de investigação e promoção da nossa história, costumes e tradições. Simultaneamente, do ponto de vista institucional, deveria passar a ser a “sala de visitas” do concelho. Quanto ao edifício Pérola, julgo que devemos abrir um concurso de ideias a ser submetido a posterior aprovação pela população. De qualquer modo, em minha opinião – que não está fechada e respeitará a vontade da população de Apúlia - teria sempre que ter uma finalidade estritamente coletiva e de serviço à população.

F.E. – De entre as que enumeramos, indique duas áreas onde é imperioso agir de imediato, a bem do concelho, e como pensa que serão feitas, em cada uma, as ações a desenvolver: indústria, comércio, agricultura, pesca, artes, cultura, educação/ensino, turismo e serviços 

JAC - Já referi acima, a propósito dos investimentos, as áreas que carecem de intervenção imediata, quer na componente humana, quer na componente industrial. Na impossibilidade de abarcar todos os temas, destaco ainda a questão das acessibilidades. Assim que assumir funções, iniciarei contactos com todos os municípios vizinhos, a fim de encontrar soluções concertadas de transportes públicos, que tornem Esposende mais próximo das cidades vizinhas. Julgo que devia ser estudada uma solução do tipo BRT (Bus Rapid Transit), como está a avançar na cidade do Porto e está a ser projetada para Braga, para unir Esposende às cidades vizinhas. No setor do turismo importa combater a sazonalidade, atraindo turistas na chamada época baixa. Esposende devia estar recheado de hotéis mas, lamentavelmente, estes estão a fechar. Para isso, planeamos uma intervenção de fundo nas duas margens do Cávado, até ao Marachão, contemplando zonas de circulação pedonal, espaços de lazer, praias fluviais organizadas e dignas, assim como uma travessia pedonal entre as duas margens, nas imediações da Barca do Lago. Ainda nesta área, é imperioso desenvolver, por todo o concelho, um plano de trilhos e percursos, devidamente mapeados e sinalizados, especialmente na zona dos montes. Além disso, aproveitando o facto de Esposende ter um Coro de Pequenos Cantores de classe mundial e o Ars Vocalis, também de elevadíssimo nível, gostávamos de promover um grande festival internacional de coros, preferencialmente de jovens. Devemos começar com pequenas iniciativas, para ganhar experiência e “nome”, passando depois à concretização de um festival que seja uma referência mundial. Este evento iria atrair milhares de pessoas em época baixa e divulgava o nosso nome através da cultura. Seria um “evento âncora” para a cultura e para o turismo no concelho. Seria uma marca distintiva e identitária do concelho, bem melhor que o polvo ou o robalo. Para apoio da agricultura, gostávamos de lançar as bases da marca “Produto de Esposende”. O investi- mento nesta marca traria valor acrescentado aos nossos produtos, nomeadamente os hortícolas. Todas as grandes superfícies instaladas ou a instalar em Esposende deviam ser estimuladas a ter uma zona destinada à venda exclusiva dos produtos associados à marca “Produto de Esposende”. Destaco ainda a necessidade de criar uma centralidade em Marinhas e Forjães, que são atravessadas por estradas nacionais. Pretendemos desenvolver todo o tipo de pressão junto da Infraestruturas de Portugal e do Governo, para fazer passagens desniveladas do trânsito no centro destas duas freguesias. Será uma verdadeira revolução nestas duas freguesias.

F.E. – Que se lhe oferece dizer sobre a anunciada instalação do Ensino Universitário em Esposende, nomeadamente efeitos no binómio custos/benefícios, relevando possíveis consequências para o desenvolvimento económico do concelho?

JAC – Julgo que todos somos favoráveis à existência de valências de ensino superior em Esposende. Será uma mais-valia para o concelho. No entanto, só beneficia- remos desse investimento se a intervenção for articulada, gerando condições para a criação de uma comunidade académica local. Só assim teremos uma dinâmica local vantajosa. Pelo que sei, não é esse o plano que está a ser desenvolvido, pelo que julgo que estamos a iniciar um caminho errado. Infelizmente, vamos ter uma aparência de ensino superior, recebendo uns “salpicos” que sobram ao IPCA. Não me parece ser esse o caminho, mas, sinceramente, espero estar enganado.

F.E. – Se após o sufrágio do dia 26 de setembro próximo, o seu nome não for sufragado democraticamente para presidir à Câmara Municipal de Esposende, que tenciona fazer sob o ponto de vista político?

JAC – Como esclareci na minha apresentação, a nossa equipa estará ao serviço de Esposende quer ganhe, quer perca. É este o nosso compromisso. Contamos vir a ser necessários para a composição do próximo executivo municipal. Se ganharmos, governaremos, executando aquilo que defendemos; se perdermos, cá estaremos para marcar posição e defender o nosso projeto. Os esposendenses já viram a forma como exerci as minhas funções há uns anos: contribuir sempre positivamente para o nosso bem comum. Assim continuaremos a fazer, ganhando ou perdendo. Vemos o exercício das funções de autarca como uma missão de serviço e proximidade. É assim que todos os nossos candidatos, seja ao município, seja às freguesias, encaram este desafio. Não temos profissionais da política, mas gente que se quer dedicar à sua terra, servindo os outros em função dos resultados eleitorais. É preciso instaurar em Esposende a ideia bem vincada de que um autarca é um servidor dos outros! Destaco ainda que estamos a constituir uma equipa de futuro e que, por isso, a eleição deste ano é apenas encarada como a primeira etapa. Em 2025 vamos apresentar- -nos ao eleitorado ainda mais fortes e com uma equipa ainda mais sólida e abrangente em todas as freguesias.


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