Esposende: Candidato do CHEGA Paulo Martins em entrevista

AvatarRedação , 24 de setembro, 2021

Paulo Martins 1

O jornal Farol de Esposende realizou um conjunto de entrevistas aos candidatos à Câmara de Esposende nestas autárquicas de 2021 e que se realizam no próximo dia 26 de setembro. As perguntas foram iguais para todos os candidatos, com indicação da direção do jornal de que as respostas não deveriam extrapolar informações que fossem para além do conteúdo de cada pergunta. Assim, em parceria com o E24, o Farol de Esposende publica o que cada candidato pensa sobre as questões colocadas. Desta forma, entendemos que prestamos a todos um serviço de informação útil, cumprindo, assim, um dos objetivos do jornal, no âmbito do seu estatuto editorial. Por sorteio, a ordem de publicação será candidatura do PS, CDS-PP, CDU, Chega e PSD-PPD, sendo que as publicações vão ser realizadas até sexta-feira.

Farol de Esposende (FE) – Qual a principal motivação que serviu de impulso para ser cabeça de Lista para o Executivo da Câmara Municipal de Esposende, do Partido pelo qual concorre às autárquicas de 2021?

Paulo Martins (PM) – O que pode motivar um cidadão a candidatar-se a um cargo político? Olhar hoje para Esposende, olhar no horizonte a 20 anos, não conseguimos ver para onde vamos. Como será Esposende daqui a 20 anos? Seremos capazes de competir com outros territórios pela nossa sustentabilidade? Estas interrogações impulsionaram-me para ser cabeça de lista pelo CHEGA. Nós, no CHEGA, acreditamos que podemos tornar este concelho grande em todos os sentidos. Fui convidado pelo Marcelino Cunha, com uma promessa da parte dele, trabalhar muito, ajudar a criar uma alternativa válida a uma governação concelhia sem rumo. O Chega é um partido com dois anos, está a fazer o seu caminho, muito erros, verdade, mas somos humanos. Mal seria que esses erros não acontecessem, é porque esta- ríamos a copiar!

F.E. – Se, após o sufrágio eleitoral, resultar a sua eleição para Presidente da Câmara, atendendo a que será para exercer funções num horizonte de quatro anos, quais os dois primeiros grandes investimentos que promoverá, para contribuir decisivamente para o desenvolvimento do concelho de Esposende?

PM – Quando se fala de grandes investimentos, fica-se com a sensação de obra, betão, pedra... O CHEGA não defende para Esposende investimentos nesta direção. Nós paramos já com a ideia do Parque da Cidade naquele local, criamos um negócio imobiliário sem precedentes. Pegamos em parte desse dinheiro e pagamos de forma justa os terrenos “roubados” aos seus donos para construir o canal intercetor. Esposende precisa de olhar para dentro, esta ideia de investimento usada pelas sucessivas governações apenas tornou o território agradável ao olhar e bom para quem nos visita. Mas são investimentos não reprodutivos, reprodutivo com o significado de que é investimento que gera sempre investimento adicional, o que está na origem da criação de grandes empresas, grandes fontes de criação de emprego estável, projeção regional e internacional. Esposende precisa de investir em “ScaleUps”, investir na criação de valor para as empresas locais, retenção de talento e procura por investimento externo, digo mesmo fora de Portugal. Para o CHEGA o investimento em Esposende terá de ser na mobilidade e inclusão e na qualidade de vida dos residentes, população muito envelhecida. Precisamos de a qualidade de vida dos cidadãos. Somos um concelho que sabe bem receber, mas não podemos ser acolhe- dores para quem nos visita e esquecemos quem defende as nossas raízes e tradições.

F.E. - Tendo em conta o património imobiliário propriedade do Município de Esposende, presen- temente sem utilização rentável que satisfaça, que destino dará, no mais curto espaço de tempo, às instalações do Forte de S. João Batista; da Estação Radionaval de Apúlia; do prédio junto à Praia de Apúlia, denominado “edifício Pérola"?

PM – Aqui podemos reforçar a minha ideia anterior, somos governados como um barco á deriva. Vai haver ensino superior em Esposende, vai vir o IPCA, a UM e a seguir vem HARVARD. Pois bem, o CHEGA em Esposende tem ideias claras e sustentáveis para esse imobiliário. Em relação ao “Pérola”, em Apúlia, terra esquecida, nós propomos a criação de um mercado social, que albergue a venda de peixe e legumes, artesãos e comerciantes locais preservando assim a história de Apúlia. Apúlia precisa de uma nova centralidade nessa zona e retirar a venda de peixe e legumes da zona onde é feito atualmente. Não é a alma da Apúlia. Sobre a Radio Naval de Apúlia, mais uma ideia da estratégia de governança baseada no critério do “nevoeiro “... Para o CHEGA, esse equipamento deve ser afeto a uma Escola Superior Agroindustrial, em que as valências Economia Azul e Biotecnologia sejam o cartaz principal. A escolha dos cursos seria feita em função da estratégia de investimentos do município, sempre com a ideia clara de reter talento e criar investimento reprodutivo e respeito pelas especificidades próprias da nossa região e tradições. É crucial o papel da governação local na aliança permanente entre a academia, a universidade, os poli- técnicos e o tecido empresarial. As sinergias daqui resultantes estão na origem da criação de valor qualificado, a melhor garantia para a sustentabilidade do emprego no longo prazo. O Forte de São João, este será talvez um investimento (morto) que importa revitalizar...para tal, pela sua natureza, poderia ser “negociado” com os privados, como acontece não raras vezes no nosso país. Pela sua arquitetura e natureza funcional, a transformação deste equipamento com as ideias da estratégia – “nevoeiro”, o custo seria enorme e sem retorno, o dinheiro dos contribuintes aqui já gasto estaria perdido. O CHEGA, em respeito ao princípio inabalável de que o dinheiro do IMI-IRS-IMT cobrados aos contribuintes locais deve ser usado em benefício desses mesmos contribuintes, propõe a criação de uma Escola de Artes neste local inspirador, bem localizado e com boa capa- cidade de estacionamento e mobilidade. Esta ideia insere-se também no princípio de que vimos defendendo e que é outro dos quais definirá as políticas de uma governação CHEGA. Uma aliança entre o conhecimento científico e a empresa marcará a rutura definitiva do modelo de governação atual da Câmara que privilegia o “BETÃO” e não o emprego, que, em vez de atrair e reter o talento local, expulsa-o, assente numa rede de interesses que importa desmontar que não servem a enorme maioria dos nossos munícipes, transformando a Câmara num centro de emprego subserviente e salários baixos, em linha com a política em curso a nível central. O CHEGA propõe um modelo de governação centrada na captação de investimento privado interno e externo, com emprego qualificado, competindo à governação da Câmara a articulação desse esforço com a academia, usando assim as receitas fiscais em benefício das suas gentes e não na sustentação de uma rede de caciquismo desbaratando os dinheiros públicos apenas em benefício de alguns. Mas existem muitos outros ativos imobiliários do Município que não têm “vida”, nunca foram pensados para terem vida, pessoas e serem ativos do Séc. XXI. Não podemos pensar um território a 4, 8 ou 12 anos, na elaboração destes projetos temos de envolver instituições, pessoas e o conhecimento. Por isso com o CHEGA, todos os projetos com valor superior a 250.000€ serão sempre referendados pelas instituições e pessoas. Não podemos continuar a ter ideias “peregrinas”, sem consultar ninguém, nenhum governante é dono da razão. O concelho é das pessoas. Por isso Esposende decide.

F.E. – De entre as que enumeramos, indique duas áreas onde é imperioso agir de imediato, a bem do concelho, e como pensa que serão feitas, em cada uma, as ações a desenvolver: indústria; comércio; agricultura; pesca; artes; cultura; educação/ensino; turismo, serviços.

PM – Poderei enumerar dois, mas não posso disso- ciar a Indústria da agricultura e das pescas. Como referi a propósito da Radio Naval, a retenção de talento deverá ser feita através da “industrialização” da agricultura e a economia azul, i.e., uma economia virada para o mar. A proposta do CHEGA passa por alavancar a empresas locais destas áreas e criar e investir em novas empresas, com capacidade de criação de riqueza e retenção de talento. A criação de riqueza garante mais rendimento disponível, quer dizer mais poder de compra para todos, erradica a emigração do talento, permite a eliminação/ redução da carga fiscal (IMI-IRS-IMT), atrai mais investimento qualificado. Todos olhamos para o mar e rio e vemos pescas! A economia azul é muito mais que isso. Olhar para o mar e rio, olhando só para as pescas e turismo, leva que a criação de riqueza SEJA diminuta e sazonal. Precisamos aproveitar os rios e mar para criar riqueza, trazer investi- dores com larga experiência aproveitando todos os seus recursos e atrair /reter talento. O Município não é uma empresa, nem um investidor, nem deve ser, mas pode ser um atractor de investimento e um impulsionador desse investimento, com políticas fiscais e infraestruturais para a sua implementação. Em relação á agricultura, desenvolver uma política de fomento do associativismo que leve à fusão e concentração empresarial no domínio agrícola, industrial e agroindustrial proporcionando rendimentos acrescidos para todos os investidores, emprego duradouro e qualificado, principal fonte de criação real de valor. Apostar e incentivar a produção deste setor em cultivo e produção de valor acrescentado. Precisamos ajudar os nossos agricultores a perceber aquilo que precisamos trabalhar em escala, ou seja, aumento da dimensão das explorações agrícolas para que os recursos sejam mais bem aproveitados.

F.E. – Que se lhe oferece dizer sobre a anunciada instalação do Ensino Universitário em Esposende, nomeadamente efeitos no binómio custos/benefícios, relevando possíveis consequências para o desenvolvimento económico do concelho?

PM – O Ensino Superior é uma mais valia para qualquer território, mas temos de ter muito cuidado com estas implementações. O Ensino superior tem impacto na habitação, comércio e serviços. Mas a escolha dos cursos tem impacto no futuro do território; a criação não pode ser feita com uma visão redutora sobre o território. Temos dezenas de casos de sucesso pelo país, mas centenas de casos de insucesso. Portugal é o exemplo das “exportações” de talento que fazemos todos os anos... todos nós investimentos milhões em impostos na formação de talentos para enviar para os outros países. Para o CHEGA, a implementação do ensino superior passa por uma estratégia global, com visão a longo prazo, entre empresas e município e em conjunto com as várias políticas de apoio às várias indústrias a ajudar a nascer. Como podem comprovar pela ideia que o CHEGA tem por exemplo para a Rádio Naval de Apúlia, que demonstra que o Ensino Superior tem espaço, mas deve romper com paradigmas obsoletos e destruidores de recursos públicos abrindo novos horizontes para o tecido empresarial do concelho. é imperioso romper com mentalidades cuja visão assenta no curto prazo e navegação à vista...Precisamos de ideias claras e rumos concretizáveis. Não adianta ter ensino superior em Esposende, se depois não conseguirmos reter/atrair o experiência e conhecimento. Chega de acharmos que o turismo é o futuro de Esposende ou de Portugal. a pandemia demonstrou as fragilidades desta aposta. o valor acrescentado pelo setor, a instabilidade e baixos salários associados, mas, acima de tudo, a vulnerabilidade deste ramo do negócio é um erro sistemático do centralismo cuja fatura é e será pago por todos.

F.E. – Se após o sufrágio do dia 26 de setembro próximo, o seu nome não for sufragado democraticamente para presidir à Câmara Municipal de Esposende, que tenciona fazer sob o ponto de vista político?

PM – Se não for eleito Presidente da Câmara, mas se os Esposendenses quiseram que seja apenas vereador, farei por honrar essa confiança. Prometo que não irei fugir às minhas obrigações. Tentarei ser a voz de todas as pessoas de bem deste concelho, nomeada- mente daqueles que não tem voz junto do poder. Se os Esposendenses acharem que nem essa confiança devo ter para vereador, e como sabem não sou candidato a mais nenhum órgão, por isso voltarei a minha condição de cidadão atento e interventivo. Voltarei aos projetos sociais que sempre fiz parte. Em relação ao CHEGA, como referi anteriormente, está em crescimento, em expansão. Na condição de militante e membro de uma concelhia, cabe-me a mim fazer passar as ideias do partido e tentar ajudar o meu país e o meu presidente a mudar Portugal.


Também pode gostar