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«Mudança de quartel? Só com um apoio muito forte da Câmara de Esposende»

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Nuno Cerqueira - 3 de novembro, 2020

Estava longe de imaginar que quando entrou para bombeiro há 46 anos que ia estar na frente do comando dos Bombeiros Voluntários de Esposende (BVE), muito menos 25 anos.
Chama-se Juvenal Campos e foi para bombeiro por influência de um "Conde".

«Frequenta a casa do Conde Evangelista e achei por simpatia que devia entrar para bombeiro», recorda o bombeiro que passou por vários comandantes, incluindo o irmão.

«Se não estou em erro, em 1982 o meu irmão é nomeado segundo comandante e mantém-se até 1986. O comandante Carlos Oliveira Martins, aos 50 anos de comando, pede a passagem para o quadro de honra e o meu irmão assume. Houve uma altura que o Hercílio ainda me chegou a falar do comando, mas não tinha vida profissional que o permitisse para assumir tal responsabilidade», revelou em conversa com este jornal.

No entanto estava no destino que este professor não ia escapar ao "comando". O cargo acabou por surgir com naturalidade, quando o irmão Hercílio passou para inspetor dos bombeiros.

«A minha vida estava organizada e aceitei o cargo que surge com alguma naturalidade», frisou.

Professor do primeiro ciclo de profissão, Juvenal Campos quando olha para 25 anos de comando não tem dúvidas em afirmar que «o corpo ativo está agora mais bem equipado, preparado e profissional».

«O corpo de bombeiros está mais organizado, o pessoal está muito mais bem formado e ligeiramente mais profissional. O papel de voluntário é importante nos bombeiros, mas a disponibilidade para esse processo é hoje em dia mais complexo fruto das profissões», destacou.

Quando olha para as viaturas, Juvenal Campos diz que apenas o “autocomando” e uma viatura florestal de combate a incêndios têm 25 anos.

«O resto é tudo novo. Também temos melhor equipamento de proteção individual. Quando entrei as botas eram umas galochas e havia uns fatos macaco», recordou o comandante que não tem problemas em dizer que «estar no comando é por vezes um ato “solitário”».

«Há sempre alguém que rema contra a maré e por vezes sinto-me a falar sozinho. Não é fácil e parece que as pessoas não querem ouvir, pois o corpo de bombeiros tem que melhorar sempre. Quando entrei para comandante tive que fazer 16 processos disciplinares no mesmo dia para resolver determinados problemas. Às vezes uma reação mais enérgica melhora o corpo de bombeiros», fez questão de frisar.

Conhecido por se manter fiel a princípios, valores éticos e de “dar à caneta”, revelou que «ainda há moinhos de vento e poderes» que leva a lutas «inglórias».

Quanto a momentos complicados, Juvenal Campos quebra a conversa com este jornal, para travar a emoção, e diz que a morte de três bombeiros num acidente de viação em funções foi «o momento mais complicado que viveu».

«Ninguém está preparado para aquilo. Já tinha assistido essa situação num corpo de bombeiros aqui do distrito, mas nunca me tinha visto nesse papel. Foi, e ainda é, um momento muito difícil. Mas também é justo dizer que tive ajuda para passar esse momento. De pessoas que nunca esquecerei, como caso do ex-presidente da Câmara de Esposende, João Cepa. Nunca esquecerei a forma como esteve sempre presente, foi um amigo e ajudou muito este quartel. Assim como Emília Vilarinho e João Amaral. O ex-presidente de Câmara de Guimarães também foi outra pessoa que nos ajudou muito lá no hospital de Guimarães», destacou Juvenal Campos.

Como positivo, o comandante recorda a missão a Timor, que teve a honra de estar como comandante.

«Uma missão inesquecível. Só estando lá se percebe aquele povo. Foi em 1999, foi a cereja no topo do bolo da minha carreira de bombeiro», deu conta.

Quanto à relação com a autarquia, o comandante passou por Alberto Figueiredo, Tito Evangelista, João Cepa e Benjamim Pereira.

«Todos diferentes. De positivo neste atual presidente? Saliento a resolução da EIP. Espero que seja reforçado o apoio», frisou.

Um dos temas que volta e meia surge na “praça” é a mudança de quartel. O comandante sempre foi crítico e diz que a acontecer, essa mudança terá que ter um apoio muito forte da Câmara.

«Um quartel para seis viaturas não me serve. Veja o exemplo de Vieira do Minho, a deslocalização do quartel está a matar a parte social e voluntariado. É isso que querem? Acho que não estamos preparados para isso», referiu.

Juvenal Campos, que é dos poucos comandantes que não recebe salário por ser comandante (ao contrário de maioria dos corpos), refere ainda que dentro de pouco tempo terá que deixar o comando. Em termos de lei restam pouco mais de dois anos.

«Até posso deixar antes, mas uma coisa digo. Não há testamento deixado por mim. Não quero interferir com nada», vaticinou, dando ainda nota de outra palavra chave do sucesso enquanto bombeiro: «família».

«Sempre aceitaram esta missão. São a pedra basilar, pois se não fossem eles nunca teria conseguido aguentar esta missão», apontou.

 

 

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