Mota Campos

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João Mota Campos foi figura ilustre que, nos anos 50 do século passado, fez vida na então vila de Esposende, nos primórdios de uma carreira que viria a ser extraordinária e diversificada.

Para os mais antigos, salta à memória o político do Estado Novo, primeiro como secretário de Estado da Agricultura (1960 a 1962) do governo de Salazar, e mais tarde, com Marcello Caetano, como ministro de Estado e do Plano, entre 1971 e 1973, e da Agricultura e Comércio, até abril de 1974.

Deve à sua passagem pelo Governo, nas mais variadas funções, a oportunidade de ter conhecido a totalidade dos concelhos que formam o território português, facto que o regozijava, pelo enriquecimento cultural que isso lhe proporcionava.

Ainda a propósito de Salazar, assinala-se o facto de ter sido o mais jovem membro do seu Governo, então com 33 anos, o que não passou despercebido ao chefe de Governo, que, em certa ocasião, comentou «O Senhor Secretário de Estado é muito novo para ocupar já funções a este nível», ao que Mota Campos retorquiu «Pois sou, Senhor Presidente, mas tenho muita experiência de vida».

Para os estudantes e profissionais do Direito, trata-se de um eminente académico, precursor do ensino do Direito Comunitário em Portugal, tendo sido Professor Catedrático na Faculdade de Direito da Universidade Católica, e que publicou diversas obras e manuais nesta área do Direito que ainda hoje são uma referência e de leitura obrigatória.

A especialização no Direito Comunitário deu-se em Estrasburgo, por ocasião do seu exílio em França, depois da revolução do 25 de abril. Foi um período conturbado da sua vida, em que foi necessário recomeçar, mas que encarou sem qualquer desânimo ou revolta, em linha, aliás, com o espírito que pautou o seu percurso de vida, de uma carreira construída a pulso.

Tive a honra e o gosto de ter conhecido e privado com Mota Campos. Era um dos maiores amigos de meu avô, amizade forjada nesses anos em que ambos coincidiram em Esposende. Estive com ele, pela última vez, no Verão de 2017, quando veio passar uma semana de férias a Esposende.

Visitei-o no hotel Suave Mar, onde estava hospedado, e tivemos uma boa conversa, na qual partilhou a sua impressão muito positiva e favorável sobre o desenvolvimento de Esposende e a sua qualidade de vida.

A esse propósito, comentei que o mote do nosso concelho era “Esposende, um privilégio da natureza”, tendo-me então advertido que era importante cuidar e não estragar, pois nisso residia o valor acrescentado da nossa terra.

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