«Por enquanto a chama vai continuar acesa»

AvatarRui Pereira, 28 de julho, 2021

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Fez no passado sábado 4 anos que renunciei ao cargo de vereador do Executivo da Câmara Municipal de Esposende no mandato 2013/2017, sob a liderança de Benjamim Pereira.

Quando nessa altura decidi abraçar outro projeto político, liderado por João Cepa, marquei claramente a minha posição quanto ao meu futuro na política e também a minha visão sobre o caminho e a estratégia implementada pela liderança da autarquia nesse mandato. Obviamente que a minha decisão se alicerçou claramente em sentimentos como a gratidão, o reconhecimento e a amizade, completamente incompatíveis com a política. Foi o risco consciente que corri, com uma decisão muito ponderada e da qual nunca me arrependi pois não troco uma amizade por nada e nunca podia virar costas a quem me deu a oportunidade de integrar um Executivo que me marcou imenso do ponto de vista pessoal e profissional. Sei que muito poucos fariam o mesmo, mas orgulho-me de não ter sido igual a tantos outros. E como não vivo de protagonismo nem preciso da política para nada, estou hoje no papel da oposição e durmo todos os dias muito bem e com a consciência tranquila.

Com isto pretendo dizer que os motivos que me levaram em 2017 a integrar uma candidatura alternativa, hoje não existem, à exceção de um: o rumo seguido não é o melhor e mais tarde ou mais cedo, todos vamos pagar esta falta de visão e estratégia, que tornaram Esposende um concelho estagnado, sem liderança e sem rumo. O que se faz é avulso e conforme as oportunidades de financiamento, sem que se discuta se é ou não importante, se é ou não fundamental para o progresso, se é ou não decisivo para as pessoas. As pessoas e o seu bem-estar devem ser a essência de uma governação local. Não posso aceitar que as IPSS passem dificuldades, que a sociedade civil se junte para fazer solidariedade com quem mais precisa e a Câmara Municipal gasta 7 milhões de euros num canal que daqui a uns meses estará ao abandono.

É verdade que fui sondado e aliciado para ser uma alternativa à Câmara Municipal.

Mas efetivamente não sinto na maior parte da população uma necessidade de mudança e, como tal, na minha opinião, não fez qualquer sentido avançar com uma candidatura independente. E digo independente pois esteve e estará fora de questão avançar com uma candidatura integrada nos partidos políticos tradicionais e com implantação local.

A dependência do poder é enorme e poucos são os que têm a coragem de dar a cara e ter uma opinião diferente.

São mais de 500 os trabalhadores municipais (autarquia e empresas municipais), mais os avençados e prestadores de serviços, a que acresce a quantidade de pessoas que estão nas instituições e dependem do poder. No concelho de Esposende é muito difícil ser alternativa pois está cimentada a ideia de que “se não és por mim, és contra mim” e já senti na pele os efeitos da perseguição política e intervenção prejudicial perante os que nos são próximos.

Esta é a realidade local: fala-se de liberdade e democracia, mas a mesma não existe na sua plenitude! Assumo isto com todas as letras e tenho dezenas de situações que o comprovam.

Perante tudo isto, corria o risco de ser mais um a ouvir e a comprovar uma frase célebre, dita por um oficial das forças armadas há una anos atrás: “ARMEMO-NOS E IDE”. Foi isso que se passou em 2017 e aprender com os exemplos e com os erros mostra sensatez e responsabilidade.

Se é um adeus? Não. É um até já, que me vai fazer bem do ponto de vista pessoal. Vou ver as coisas do lado de fora. Vou ouvir as pessoas e se algum dia sentir a necessidade de avançar com uma alternativa, cá estarei. Gosto muito do meu concelho e nunca fugirei às minhas responsabilidades. Mas quando e se algum dia regressar à política, será para começar algo do zero. Com as minhas ideias, os meus projetos, a minha estratégia e as pessoas que me queiram acompanhar de forma livre e descomprometida. O futuro a Deus pertence.

Por enquanto, a chama continuará acesa.

Resta-me agradecer a todos que estiveram ao meu/nosso lado nesta missão. Aos meus verdadeiros amigos, à minha família, aos apoiantes do JPNT e acima de tudo aqueles que acreditaram e acreditam nas nossas ideias, nos nossos projetos e na nossa forma de estar na política.

Quem sabe um dia não possamos concretizar muitas das coisas em que acreditamos.

A quem vai a eleições, desejo que o façam de forma nobre e integra. Avizinham-se tempos difíceis e onde muita coisa vai ser trazida ao conhecimento de todos. Quem andou escondido vai aparecer e quem nada fez vai encontrar desculpas e voltar a prometer o que ficou por fazer.

Cabe a todos e a cada um de nós avaliar o trabalho feito, ouvir as propostas e escolher.

Serei apenas mais um a escolher.

Tentarei ser justo, coerente e responsável.

Um abraço a todas e a todos!

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