Serão os censos um espelho da má governação que o nosso país apresenta?

AvatarCristiana Santos, 2 de agosto, 2021

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No passado dia 28 de julho o INE publicou os resultados preliminares dos CENSOS 2021, onde foi possível verificar uma perda acentuada de população em Portugal nos últimos 10 anos. Um problema que nos últimos anos se pensava que afetava sobretudo regiões como interior, agora parece querer expandir-se para as regiões também do litoral.

Portugal, um país tão atrativo, tão cobiçado por turistas, com paisagens incríveis, com uma gastronomia “de crescer água na boca”. O que levará a população a desaparecer e a fixar-se noutros sítios? Será a falta de habitação? Será a falta de oportunidades de trabalho? Será porque não gostam do país? Ou será as ditas “burocracias” ou melhor dizendo em português falante as “merdelhocracias” para fazer qualquer coisa. Já não é novidade para ninguém que Portugal é um país de burocracias, para tratar de qualquer assunto são horas e horas perdidas que esgotam a paciência de qualquer um.

Como é possível um país crescer, se para avançar com qualquer projeto são meses e meses de espera para aprovação e por vezes quando se pensa que estamos quase lá verificou- se que faltava ainda um papel, e o processo volta a andar para trás, aos 10 meses que já se tem de espera acrescenta-se outros 2 ou 3. Para construir casa são necessários mil e um documentos, uma catrefada de licenças e projetos que por vezes são chumbados duas e três vezes, para não falar da dificuldade em arranjar um terreno que cumpra todos os requisitos necessários para a construção. Pois ou é o PDM ou são áreas florestais, ou são áreas agrícolas, ou é porque pertence ao parque natural, enfim só problemas… Para que fique esclarecido, acho muito importante preservarmos a nossa natureza mas por vezes é surreal as regras que impõem. Existem certas zonas cujos os terrenos estão tapados por imenso mato e completamente ao abandono, talvez se houvesse permissão de construção nesses locais, essa vegetação era cortada e o mesmo tornava-se um local mais seguro, principalmente pelo risco de incêndio diminuir.

Como é possível os jovens quererem fixar-se no nosso país, se as oportunidades e os apoios dados são cada vez menores, se os trabalhadores são vistos como um número e os estudantes como uma média, muita coisa tem que mudar para que em 2031 os resultados estatísticos se alterem.

Deparamos-nos com uma questão bastante complexa de resolver e que só com muita força de vontade se consegue combater. Se nos interrogarmos, de quem será a culpa de todo este cenário que estamos a viver?

Em primeiro lugar a culpa cai sobre os nossos governantes, sobre quem comanda, não quer dizer que seja a falta de investimentos é sim a falta de estratégias bem definidas para fixar a população. A atribuição de apoios para as pessoas se fixarem, incentivos à reconstrução, à indústria, o valorizar o tradicional, seria uma maneira de combater as fugas de jovens para os meios urbanos. Faz falta definir estratégias coerentes que levem os mais jovens a tomar gosto pela região de onde são oriundos, estratégias que os prendam e os façam ficar.

Em segundo lugar podemos culpabilizar todos os cidadãos, que todos os dias vêm o que está mal e não reivindicalizam por melhores direitos, não vão à luta pelos seus interesses. Reclamam e dizem mal em conversas de café mas no lugar onde o deviam fazer não o fazem, dizem eles “por falta de tempo”. Por exemplo, a pouco tempo das eleições autárquicas muitos deles nem vão exercer o direito de voto, pois existe programas mais interessantes para fazer ao domingo… mas depois vêm se queixar que isto vai de mal a pior e que os governantes não fazem nada e que o pais regride de dia para dia.

Sim é verdade podemos afirmar que os censos são um pouco o espelho da má governação a que estamos expostos, mas não se podemos esquecer que existem outros fatores que contribuem para o mesmo. É mais fácil fugir aos problemas do que enfrentá-los e lutar pelos nossos direitos. Como se diz é preciso agarrar o touro pelos cornos.

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