Râguebi: Morreu o esposendense Júlio Faria, o senhor que colocou o Minho a jogar "a bola oval"

AvatarNuno Cerqueira, 5 de outubro, 2021

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O Clube de Rugby de Arcos de Valdevez (CRAV) anunciou hoje que morreu Júlio Faria, a figura grande de râguebi nacional e que colocou o Minho a praticar a modalidade. O jogo 

Júlio Faria era natural de Esposende e chegou a ser proprietário do posto de combustível da Galp em Gandra. Aliás, o "mister" levou mesmo muitos atletas de Esposende a clubes do interior, como caso do CRAV e mais recentemente o Braga Rugby.

Um dos nomes importantes da modalidade a nível nacional, Júlio passou pro clubes como Técnico de Lisboa onde, como estudante, conquistou a primeira Taça de Portugal. Mas foi nos Arcos de Valdevez que passou os últimos 30 anos dedicados ao râguebi onde foi atleta, treinador, dirigente e, como dizem no local, “um pouco de tudo”.

«Chegou a Arcos de Valdevez no segundo ano de existência de um grupo entusiástico, mas que não sabia quase nada da modalidade. Durante mais de 25 anos, esteve literalmente ao serviço do CRAV: foi jogador, treinador de todos os setores e até presidente. Tudo isto por carolice. Aliás, era ele que dizia muitas vezes: o profissionalismo está na cabeça», recorda o clube nas redes sociais.

 «Resumindo: ensinou-nos a jogar Rugby, a viver a modalidade os seus valores. Ajudou-nos a crescer, e a sermos melhores pessoas», frisa o clube.

As reações vêm um pouco de todo lado, com lamentos pela partido de um dos grandes da modalidade como referiu o Clube de Rugby do Técnico em postagem nas redes sociais.

«Júlio Faria iniciou-se no rugby na nossa segunda época 1964/65, quando veio estudar para Lisboa no IST, curso que não terminou. Pouco depois de se ter juntado ao nosso Clube conquistou um lugar na nossa equipa principal e desde logo se revelou um pilar de elevado nível. Total entrega ao jogo foi sempre umas das suas caraterísticas. Fez parte da equipa que conquistou o campeonato da 2ª divisão em 1964/65, o torneio de Abertura, Taça Aníbal de Matos, em 1967/68 e a primeira taça de Portugal em 1969 e, enquanto jogador do Técnico, foi internacional 5 vezes tendo-se estreado em Março de 1967 no jogo com a Espanha que Portugal venceu por 5-0. A sua carreira foi cortada pela mobilização para o exército tendo passado mais de 2 anos em Moçambique durante o período da guerra de África. Quando regressou, voltou a representar o nosso clube, mas, devido à morte do pai, teve de voltar à sua terra natal, Esposende, para continuar as atividades comerciais do seu pai. Mantendo o seu entusiasmo pelo Rugby decidiu continuar a sua carreira no CDUP onde, além de jogador, foi também treinador. Mas, desafiado pelos fundadores do Clube de Rugby dos Arcos de Valdevez (CRAV), passou a integrar este clube onde terminou a sua carreira de jogador. Foi uma peça importante na afirmação do CRAV no panorama do rugby nacional tendo sido seu treinador durante muitas épocas, até à segunda década do sec. XXI. Foram 40 anos de total entrega ao seu deporto onde era admirado por todos aqueles que com ele jogaram e conviveram. Deixa marcas significativas nos 3 clubes que representou», conta Pedro Ribeiro, fundador do Clube de Rugby do Técnico.

O corpo estará em câmara ardente, esta quarta-feira, a partir das 15h00 até às 18h45 no Centro Funerário de Arcos de Valdevez (Funerária Lourarcos), depois seguirá para a Igreja de S. Bento onde será celebrada a eucaristia.

Conforme expressou em documento ainda em vida, o seu corpo vai ser entregue à Faculdade de Medicina Universidade do Porto.


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